MINERALOGIA E GÊNESE DE SOLOS ÂNDICOS EM AMBIENTE ALTOMONTANO NO SUL DO BRASIL
A confirmação de solos com propriedades ândicas no Brasil e a escassez de estudos sistemáticos motivam a caracterização mineralógica desses materiais em ambientes altomontanos do Sul do país. Este trabalho caracteriza a fração argila de dez perfis com propriedades ândicas distribuídos ao longo da escarpa da Formação Serra Geral (RS–SC). Amostras de horizontes superficiais e subsuperficiais foram analisadas por difração de raios X em lâminas orientadas, após remoção de óxidos por ditionito-citrato-bicarbonato e tratamentos com Mg, Mg+etileno glicol e K (25–550 °C). Foram estimadas proporções re...
A confirmação de solos com propriedades ândicas no Brasil e a escassez de estudos sistemáticos motivam a caracterização mineralógica desses materiais em ambientes altomontanos do Sul do país. Este trabalho caracteriza a fração argila de dez perfis com propriedades ândicas distribuídos ao longo da escarpa da Formação Serra Geral (RS–SC). Amostras de horizontes superficiais e subsuperficiais foram analisadas por difração de raios X em lâminas orientadas, após remoção de óxidos por ditionito-citrato-bicarbonato e tratamentos com Mg, Mg+etileno glicol e K (25–550 °C). Foram estimadas proporções relativas por áreas de picos, medidas de largura à meia altura (≈0,72–0,74 nm) e realizado teste com formamida para detecção de haloisita. A mineralogia revelou composição semelhante entre classes, com dominância de esmectita com hidróxi-Al entrecamadas, caulinita e gibbsita, além de interestratificados caulinita–esmectita recorrentes. A ausência de expansão em 1,4 nm após impregnação com etileno glicol e a contração parcial com aquecimento confirmam a presença de minerais 2:1 com entrecamadas hidroxiladas de alumínio. A gibbsita é relativamente mais abundante nos horizontes de contato e saprolíticos, enquanto a esmectita com hidróxi-Al entrecamadas se destaca nos horizontes orgânicos superficiais, sugerindo dissolução seletiva da caulinita sob acidez e complexação orgânica. Ensaios com formamida indicam haloisita rara e subordinada. Os resultados confirmam a natureza não alofânica desses solos e contribuem para o refinamento dos critérios de reconhecimento mineralógico e das interpretações pedogenéticas e classificatórias em ambientes frios e úmidos sobre rochas vulcânicas ácidas.
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